Reflexões
Impressionada com a notícia de que mesmo sem qualquer estímulo uma jovem inglesa atinge mais de 200 orgasmos por dia, dona Finoca fecha a cara e reclama do destino: “Assim é a vida… para umas, tudo. Para outras, nada.”
Avança na leitura e logo discorda da informação de que a moça sofre de síndrome de excitação sexual permanente: “O repórter está enganado. Ela não sofre. Ela goza”. Cada vez mais interessada, mal acredita no que lê: “Caramba! Ela chega ao orgasmo só de ouvir o barulho de uma locomotiva!”
Por mais que se esforce, não consegue entender o formidável apetite da jovem inglesa: “Haja Tesão! Ela chega ao clímax toda vez que vê um urso!” E se derrete quando sente cheiro de coisa podre!”. Dobra cuidadosamente o jornal e resmunga: “Que criatura esquisita!” Em seguida vai pra cozinha e divaga: “Ela precisava conhecer o Biléu. Ela ia adorar o Biléu. Ora se ia!”
Debruçada sobre a pia, mergulha a mão na gordurama das panelas, triste e pensativa: “O que é a vida. Ela reclama dos 200 orgasmos diários, e eu me contentaria com um ou dois por ano.”
Tarde da noite, termina o serviço, apaga a luz da cozinha e entra no quarto, cansada e sonolenta. Irritada, observa o marido bêbado como sempre, caído sobre a cama e roncando como uma locomotiva. Inteiramente nu, exibia o corpanzil balofo e peludo como um urso. Quando dona Finoca se prepara para deitar, ele acaba de empestear o ambiente cm o fedor de coisa podre de um peido colossal.
Descontrolada, incapaz de conter a revolta, ela repreende inutilmente o porcalhão adormecido: “Você não passa de um nojento, Biléu! Um nojento!”. Tremendo de ódio, bate ruidosamente a porta do quarto e vai dormir no sofá.
Antes de fechar os olhos para mais uma noite vazia, refaz a avaliação: “Pensando bem, nem dois por ano!”
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